terça-feira, janeiro 23, 2007

Notas soltas...

As minhas idas a Lisboa são, por norma, o maior tormento que tenho no meu trabalho. Passo horas em reuniões estéreis com pessoas que adoram ouvir o eco das suas próprias palavras. Implementar medidas práticas, com pessoas que só estão nas ruas quando aparece a sua cara num qualquer outdoor, não é fácil. Espanto-me como pode haver tanta gente sem a mínima noção da realidade, pelo menos daquela que me entra pelos olhos adentro.

Comprei um livro* extraordinário. Tenho-o consumido exasperadamente. Absolutamente genial. Eduardo Lourenço é, indiscutivelmente, um dos maiores intelectuais do nosso país. A sua cultura e modo aparentemente fácil como nos transmite as suas ideias surpreenderam-me. Totalmente diferente do Eduardo Lourenço que me foi apresentado neste livro.

Hoje, tinha à minha espera, pousado no sofá, o JL desta quinzena. Finalmente, é dado o destaque merecido a Gonçalo Byrne. Longe do mediatismo, pelo menos para o "grande público" - ando a ver muita televisão - de Siza, Souto Moura, ou, porque não, de Taveira(da), Byrne destaca-se por ser um verdadeiro manancial de, como disse Rodrigues da Silva, "ética da arquitectura". De toda a longa, mas não tépida, entrevista, retive, entre outras, esta frase: "Não há cidade sem vazio". Exacto, o vazio, o espaço aberto e desocupado, que permite a criação. Esse mesmo espaço que permite a cooperação e a confluência.


* Tive a sorte que conseguir comprar a edição de 1987...

2 comentários:

sónia disse...

Esse ainda não li...mas o Eduardo Lourenço é daquelas extraodinárias pessoas que pensam connosco e não se põem no pedestal de um elitismo bacoco. Sou fan! :)

Cromossoma X disse...

Eduardo Lourenço, uma óptima escolha :)