quarta-feira, janeiro 31, 2007

Custódio: o absorvente da multiplicação!

O escritor e filósofo, entre outras coisas, francês Roland Barthes escreveu uma obra extraordinária que dá pelo nome de O grau zero da escrita. Barthes dividia o processo de significação das palavras em dois momentos, o denotativo e o conotativo. Sumariamente, o primeiro tratava da percepção simples e superficial da palavra; o segundo, por sua vez, continha as mitologias, as metáforas e analogias. Exemplos; Denotação: Tenho uma corrente ao pescoço. Conotação: Vou contra a corrente.

Serve este exórdio para dizer que acho que o Custódio não joga nada!
Curiosamente, custódio é aquele que guarda, que protege (na Roma antiga era até o capitão de armas), contudo este Custódio pouco guarda, nada protege e de capitão só tem a braçadeira. O que é que Barthes tem a ver com o Custódio? - perguntam vocês. Eu respondo. Barthes, se ainda fosse vivo, estaria agora a escrever um livro um pouco diferente daquele que eu enunciei. Chamar-se-ia O grau zero do futebol e teria como protagonista o nosso Custódio. Se comparássemos o Custódio com um prato à nossa escolha, ele seria certamente o equivalente ao peixe cozido com batatas cozidas e legumes. O que é isto, meus amigos? Não é nada. A comida mais insalubre que se lembraram de confeccionar. Custódio é assim. Tépido, alquebrado, lânguido, extenuado, lasso e todos os outros adjectivos que signifiquem fraqueza, quer física, quer psíquica. Custódio é aquele tipo de jogador que faz crer, a todos os que gostam de futebol, que também nós podiamos estar ali, na primeira divisão, a jogar no maior clube português, a ganhar milhares, sem valer um chavo...
Para Custódio o campo resume-se à meia-lua da sua grande-área. Tudo o resto é um campo minado. Custódio, que deve sofrer de stress pós-guerra, tem medo de pisar terreno desconhecido, nunca se sabe quando rebenta uma mina, é claro!
Se fosse mais recente, diria que o Al Berto tinha escolhido o título da sua magna obra -O Medo- baseado nas prestações do Custódio. Mas ninguém me tira da ideia que o Miguel Sousa Tavares quando nos fala em Equador, se estava a referir não ao país, mas antes ao equador celeste (cuja declinação equivale a 0º graus) e, consequentemente, estaria a dizer, disfarçadamente, que o Custódio é o equivalente ao equador celeste, isto é o grau zero da declinação...
Se Custódio dependesse da sua eficácia de passe para conseguir respirar, estaria em constante estado de obstrução crónica ao fluxo de ar nas vias respiratórias, vulgo asma.
Custódio sofre de miopia, só pode. Só isso explica que os únicos companheiros que ele encontra para passar a bola estejam a, no máximo, 3 metros e sempre ao seu lado ou atrás de si. Vê mal ao longe, lá está. Custódio é o exemplo do português actual. Nada aventureiro. Prefere o pássaro na mão. Dá-se bem, sem saber como. Terá muitas virtudes, certamente. Mas uma delas não é, de todo, saber jogar à bola.

2 comentários:

Anónimo disse...

BOM jogador...jeitosinho...é quase como tu a escrever...jeitosinho...:D

Anónimo disse...

Subscrevo as sábias palavras desse vulto do mundo dos blogues que dá pelo nome de Monhé.