terça-feira, março 20, 2007

Não tenho título, mas quero dizer uma coisa sobre a Marisa Cruz.

Pus-me a pensar, novamente, no novo programa da TVI. Acho que já encontrei a razão da sua transmissão. A Marisa Cruz está a ser preparada como a nova cara de um programa cultural da TVI. Bem, o meu raciocínio é este. Colocaram a protagonista do "Kiss Me" (grande filme, gostei principalmente do modo aflorou toda a questão do novo feminismo nos filmes portugueses, vulgo vamos-despir-gajas-conhecidas-para-que-o-filme-tenha-mais-do-que-15-espectadores) ao lado do Rui Zink (o gajo não tem carta, logo é intelectual), da Pinto Correia (vejam como não fiz nenhuma alusão ao facto de ela ter sido acusada de plágio) e do Carlos Quevedo (que até é um gajo que sim senhor) para assim elevar a Marisa ao patamar de sumidade. Inculcados dessa realidade que estaremos quando o programa terminar, a TVI avançará para o próximo passo. Criar um programa cultural. Julia Pinheiro, ex-libris de toda uma mundividência que assola o 4º canal, tratará de arranjar alguém pós-moderno, capaz de acrescentar uma camada de "tá-se bens" e de "yah's" a um discurso supostamente científico-cultural. E é aqui, minha gente, que Marisa entrará para o lote das novas-paladinas (não sei se a palavra existe, mas quero usar o feminino de paladino) do panorama cultural português. A primeira, foi a Anabela Mota Ribeiro (RTP) que começou na Praça da Alegria e acabou no Magazine (ou lá como se chamava o programa que substituiu o "Acontece".) A Anabela tem a seu favor o facto de não aparecer nas revistas todas cor-de-rosa e, para além disso, tem um ar de miúda revoltada-com-umas-olheiras-de-meia-noite. Hoje, entrevista juntamente com vários intervenientes, entre eles o Daniel Oliveira, esse vulto do pragmatismo político, diversas personalidades portuguesas, numa sessão que dá pelo nome de "É a cultura, estúpido", ou qualquer coisa do género. O segundo caso foi a B. Guimarães. Mas esta levou a coisa a um extremo quase heróico. Casou mesmo com um filófoso - ainda que gatinhante - para dar mais realismo (não estou a falar do movimento estético) à personagem. Começou num programa qualquer de filmes, foi substituir a Catarina Furtado (meus amigos, ser a Catarina já tem o seu quê, substituí-la então...) no chuva de estrelas e, agora - depois do programa com o Maestro em que a sua prestação no "abanamento de cabeça a tudo o que o Maestro dizia" inspirou assumidamente os criadores daquele cão amarelo que se coloca sobre a tampa da mala do carro -, tem uma "cena" com entrevistas na SIC-N. Gostei muito da entrevista que ela fez ao Gonçalo M. Tavares. Se não conhecesse o autor teria pensado que estávamos a falar de um qualquer milagre de acelaração da escrita, tal o modo como nos foi apresentado o escritor que escreveu "não sei quantos livros" num ano... Ao ver aquele programa, fico enternecido. A sério. Há ali qualquer coisa de Rua Sésamo. Uma espécie de efabulação da preguiça. Não sei, mas na boca da Bárbara até o Steven Seagel pareceria bom actor...
Portanto, meus amigos, já sabem o que nos espera.

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