quinta-feira, março 01, 2007

Diz que é uma espécie de Grandes Portugueses

Ao que consta o concurso da Dr.ª Maria Elisa está a chegar ao final. O concurso a que me refiro representa o grau zero da discussão. Quer histórica, quer política, quer social. Há neste programa uma espécie de lotaria histórica. Um pequeno sorteio. Não é só por cá que o concurso é resultado de mistificações e deturpações históricas. Melhor, os resultados do concurso resultam de uma visão acéfala e muito curta da História. Por exemplo, no Reino Unido, Lady Di(ana) ficou à frente de Shakespeare e a lista final continha nomes de vários ícones da música popular. Em França, Edith Piaf ficou em segundo lugar. Na Bélgica, Jacques Brel foi o vencedor e nos EUA Elvis Presley integrou a lista final. Há muito pouco de razoabilidade numa eleição deste género. Ou muito me engano, ou, por cá, se o concurso tivesse sido realizado há cinco/seis anos atrás o “Zé” Maria - participante de um outro concurso de televisão, o célebre Big Brother -, estaria entre os magnates. Ainda assim, e verdade seja dita, tendo em conta as figuras que constam da lista final, não estamos tão mal como outros. Honestamente, esperava ver, a exemplo do que aconteceu em outros países que já referi, um Mourinho, um Cristiano Ronaldo ou um Tony Carreira na lista final. Assim não foi. Há uma certa solidez histórica nos dez finalistas. A meu ver, há apenas dois lapsus memoriae que assentam no facto do Pe. António Vieira não estar na lista final e de Herberto Helder não constar na lista dos cem maiores portugueses. Depois, há também a questão dos grandes Portugueses que não nasceram por cá… Estranho? O que dizer de D. Filipa de Lancaster e de Calouste Gulbenkian? Depois há as nacionalidades, como direi, dúbias… O Herman José não é um alemão que se naturalizou português? E o António Damásio não é, para além de português, cidadão norte-americano? Poderiam, se fosse o caso, estes dois exemplos antístrofes ganhar o concurso quer no país natal, quer no país que posteriormente os acolheu? Diria que sim, mas apenas por que isto é um concurso estranho… O grande problema deste concurso é que dá azo a que se mexa grosseiramente na História, qual jogo de tabuleiro que manipulamos consoante os nossos interesses, e se tente mascarar de heróis os vilões que figuram na galeria final. Bem sei que, com o passar dos anos, há uma tendência para a relativização dos acontecimentos, mas um povo diligente, responsável e, acima de tudo, autónomo é aquele que reconhece os erros do passado para se acautelar no futuro.

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