quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Escondo-me?

Há dos poetas a ideia de que vivem num hemisfério paralelo. Moram cá. Podem ser nossos vizinhos, mas não vivem "por cá". São a personificação do abstracto. Leve e ténue susbtância humana. O corpo mora cá. A mente não vive "por cá". Felizmente há quem desminta esta ideia. O poeta não é só um sonhador. Dois exemplos que nos fazem sentir pequenos, pequeninos na nossa medíocre existência. Manuel António Pina e Eduardo Pitta. Leio-os com medo. Tenho medo deles. É este o termo. Medo. Os seus textos fazem-me sentir pequeno. Frágil. Incompleto. Vulnerável. Afrontam tudo aquilo que tenho como certezas. Tenho medo dos textos deles. Desses mesmos que se agigantam perante as nossas ideias e as esmagam, as destroem, as abatem e as desorientam como uma pena. Sentimo-nos nada. Não sabemos nada. Tenho medo deles. Parece sempre que nos vêem, a nós, descodificam-nos. Ficamos nus. Aos olhos deles. Tudo é transparente. Tenho medo deles. Que me lêem só de me ver. Parado.

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